Proteção do pagamento numa fase inicial
Contratos de reserva em Portugal: o que o comprador deve definir antes de pagar
A reserva é uma decisão contratual antecipada
Um contrato de reserva pode dar tempo ao comprador e retirar um imóvel do mercado. Também pode expor dinheiro antes de o comprador ter analisado o dossier do imóvel, assegurado o financiamento ou negociado o CPCV.
Trate o documento como um verdadeiro contrato, mesmo que seja curto ou apresentado como uma formalidade.
Identifique todas as partes
Confirme o comprador, o vendedor, o mediador e o destinatário do montante da reserva. Se o mediador receber o dinheiro, compreenda em que qualidade o faz e quando o transfere para o vendedor.
O vendedor legal deve estar identificado, ou o contrato deve explicar por que razão outra entidade está a contratar.
Descreva o imóvel e o período de reserva
Identifique a fração, o estacionamento, a arrecadação, o projeto ou o terreno com precisão suficiente para evitar dúvidas. Indique quando começa e termina a reserva e o que o vendedor ou o mediador deve fazer durante esse período.
A expressão «retirado do mercado» deve ter um significado prático. Esclareça se são permitidas visitas, propostas ou negociações paralelas.
Indique o montante e o percurso do pagamento
Registe o montante, a moeda, a data de vencimento e a conta. Confirme o destinatário através de um segundo canal e guarde o comprovativo bancário.
O contrato deve indicar se a quantia fica depositada, é transferida, é imputada ao sinal do CPCV ou recebe outro tratamento.
Defina as situações de reembolso
Evite uma designação genérica como não reembolsável sem analisar as exceções. O comprador pode precisar de reembolso se:
- o vendedor não conseguir provar a titularidade ou os poderes;
- surgirem questões materiais na due diligence;
- os documentos acordados não forem entregues;
- o crédito bancário for recusado ou insuficiente;
- as partes não conseguirem acordar o CPCV;
- o vendedor desistir ou aceitar outra proposta;
- o imóvel diferir materialmente do que foi apresentado.
Cada situação deve ter um mecanismo de prova e restituição.
Ligue a reserva à due diligence
Defina um prazo para o vendedor entregar os documentos que dê ao comprador tempo suficiente para analisar o dossier antes de terminar a reserva.
O comprador não deve perder a quantia de reserva porque o vendedor entregou registos essenciais demasiado tarde para uma análise efetiva.
Coordene o financiamento
Se a compra depender de crédito, indique o nível de aprovação necessário e o que acontece se a avaliação bancária ou o montante final do empréstimo forem insuficientes.
Uma indicação inicial do banco não deve ser tratada como aprovação final.
Defina um calendário realista para o CPCV
A reserva deve indicar quando será entregue um projeto de CPCV, quanto tempo terá o comprador para o analisar e quando se prevê a assinatura.
Evite um prazo que obrigue o comprador a escolher entre perder a quantia de reserva e assinar um contrato não analisado.
Regule a desistência do vendedor e a exclusividade
Indique a consequência se o vendedor se recusar a prosseguir, alterar o preço ou vender a outro comprador durante o período de reserva.
Um simples reembolso pode não compensar o comprador pelos custos jurídicos, de inspeção ou financiamento, mas qualquer proteção adicional deve ser expressamente negociada.
Evite a aceitação involuntária de condições futuras
A reserva não deve vincular o comprador a um futuro CPCV que ainda não viu. Tenha cuidado com redações segundo as quais o comprador aceita antecipadamente o contrato-padrão do vendedor ou todos os documentos do projeto.
Verifique a transição dos fundos
Quando o CPCV for assinado, confirme de que forma o montante da reserva é imputado e como fica documentado o respetivo recebimento. O contrato não deve criar dúvidas sobre se o comprador pagou dois sinais separados.
Sinais de alerta
Pare se o destinatário mudar no último momento, se não houver regras de reembolso, se a identidade do vendedor for pouco clara, se os documentos forem retidos até ao pagamento ou se disserem ao comprador que a análise jurídica irá atrasar o negócio.
A Análise do contrato de reserva é adequada antes da primeira transferência. O comprador deve pagar por um direito de reserva definido, e não pela pressão para celebrar o contrato seguinte sem provas.